segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A vida se alimenta da vida, como sair dessa armadilha?

por Hector Othon



no sitio todos os mamíferos (humanos, cachorros, galinhas e animais livres) convivíamos em harmonia. Tinha nascido Iara, ganhamos de Maria nossos leais e belos cachorros Fidel e Tequila (que logo vou contar a historia deles). 

Junto a Iara nasceram uns vinte pintinhos que moravam num galinheiro colado na casa. Dava para escutar os seus cantos ao dormir e ao amanhecer.

Tínhamos conseguido que Fidel não matasse e comesse mais galinhas. Um dia Fidel para minha surpresa matou novamente uma galinha e comeu (mas também as galinhas já estavam abusando do Fidel e entravam na sua casita para pegar a comida dele).

Na ocasião eu fiz questão de tirar fotos de Fidel rasgando partes da galinha para come-la, e até compartilhei aqui no Facebook... poucas pessoas curtiram...

a imagem de Fidel caçando, pegando, matando e comendo não saia de minha cabeça... 
nesses dias também prestei muita atenção a alegria das galinhas quando ao anoitecer eu ascendia a luz no galinheiro e aos milhares entravam as revoadas de cupins alados que acompanham a chegada das chuvas. Os cupins voadores são chamados por aqui de aleluias, ararás (do tupi ara´ra -espécie de formiga). Era uma festa, todas as galinhas acordavam, até os pintinhos e a comer aleluias sem parar!!! Para mim era outra festa porque além de saber que estavam se alimentando, estavam evitando que os cupins se reproduzirem... mas segundo o que estamos focando o que estava acontecendo era na verdade, um assassinato em massa de centos de aleluias...

As galinhas também comem outros seres vivos: lagartixas, baratinhas, borboletas, mosquitos, moscas, minhocas até pintinho e qualquer tipo de animal que eles possam matar ou já esteja morto...

ai pensei é lei neste mundo Terra: "para um ser viver, tem que comer outro ser, seja animal, seja vegetal"

esta realidade na meditação me pareceu tosca, bruta, primitiva e questionei a inteligência do criador, da criação, do destino... como fazer seres que para viverem, um tem que comer o outro, matar a outro? 

Neste clima, na auto-observação percebi que todo dia eu como, mas não tenho relação com a morte daquilo que como. Pensei: vou querer viver mais conscientemente isso de ter que matar para poder comer, quero sentir o peso da morte no alimento que como.

Vegetais

Folhas

No sitio tínhamos uma horta generosa com quase todas as hortaliças e plantas aromáticas que gostávamos: couve, alface, rúcula, agrião, cavalinha, acelga, salsinha, cebolinha, alho, alho poro, manjericão, hortelã, tomilho, orégano,.. Tínhamos milho milho, mandioca, inhame, abóbora...

Decidi que ia pegar as folhas sem matar a planta. Antes de pegar a folha falava com a planta, me ligava na planta. Tenho que reconhecer que ela não deveria gostar de que eu cortasse com minhas unhas suas folhas. Ainda que eu a deixasse se desenvolver, ter flores e até dar sementes e poder novamente nascer; cortar suas folhas em plena vida sem lugar a dúvidas, sentia como uma violência. Tem pessoas que argumentam que as plantas são fixas, que se fosse para não serem comidas elas se movimentariam ou se defenderiam de alguma forma.

raízes 

Com as raízes tipo a mandioca e o Inhame é mais violento ainda, porque tirando elas da terra, se mata a planta toda... ainda que depois dê para plantar as partes do galho da mandioca ou do bulbo do inhame para que nasçam novas plantas. No entanto, para a planta é, sem lugar a dúvidas, uma violência.

continuo comendo folhas, tubérculos e raizes

Na atualidade ainda como folhas, tubérculos e raízes. Como também cogumelos e algas, mas sempre atento ao impacto que estou causando e estudando como evitar isto.


Frutas

No sitio tem limão, mexerica, abacate e uma espécie nativa de atemoia. 

Fruta é aquela bênção: pode se pegar sem agredir à planta, ao contrário a alivia de peso e se a pegar com cuidado tem o lado para a tirar, e se a pegar no ponto exato de madurez, quase que cai sozinha... 

além disso o fruto tem a parte que é para ser comida e tem a semente ou as sementes para serem plantadas...

Comer frutas com consciência aumentou minha atração pelas frutas. E a cada dia curto e descubro mais delicias nelas. A fruta podemos afirmar é o alimento que parece ter sido feito para aquele que não quer matar.

Com o maior prazer adotei o costume de guardar toda semente de fruta que como, para a plantar na terra adequada em que pode virar arvore generosa e saudável...


Sementes

As Sementes, sabemos, são futuras árvores ou futuras plantas, assim as comer é de certa forma interromper seus destinos gloriosos. E nas sementes entram os feijões e os cereais.

Na atualidade eu como sementes, sejam feijões ou cereais, ainda estou estudando se dá para evitar.





Peixe, aves, mamiferos

a minha historia com a carne é comum. Parei de comer carne varias vezes, o maior período foi de uns 8 anos. Mas sempre com o pretexto de confraternizar nos lugares em que me encontrava voltava a comer carne. Ainda consciente de todo o que hoje novamente me faz parar, voltava a comer.

Algo em mim tinha força para me fechar os olhos, para ignorar as informações e conhecimentos que tinha sobre os impactos nefastos do consumo da carne para a saúde, para a natureza e para o astral geral.

Dando continuidade ao processo de trazer consciência, sensibilidade e inteligência ao que comia criei uma oração em busca de atenção a hora de 
comer:


"Que me abençoe o discernimento para distinguir no alimento que esta na minha frente, o que posso comer para o bem do meu corpo e de meu espírito. 
Que me abençoe a percepção da quantidade certa que devo comer de cada alimento.
Me permite distinguir com clareza se hoje devo rejeitar algum alimento que acostumo sempre comer.
Meu corpo agradece ao comando em mim pelos cuidados e carinho, o livrando daquilo que é indigesto, agressivo por contaminação química ou astral. Grato a fonte e os produtores do meu alimento!"

Baixo o efeito desta oração e seguindo meu coração a carne foi apontada como nociva.

Decidi só comer a carne do animal que eu matasse.

Gabriela e Iara foram morar em Cascavel. Fiquei sozinho no sitio por um ano.

E lá fui eu a ver as galinhas com outros olhos e com minhas mãos matei mais de umas 30. 

No inicio matei as galinhas de forma automática e natural, como fazia meu cachorro Fidel, simplesmente decidia que ia matar e matava. Para chegar até o fim da preparação da carne tinha que realizar vários passos, um mais cruel e chocante que o outro: 
- caça facilitada e covarde da galinha (por estar no galinheiro)
- pegar a galinha em pânico... olhos desesperado... tremores... bateção de assas,.. gritos de galinha
- torcer o pescoço... errar e ter que puxar mais... acompanhar os minutos em que o corpo ainda quente se estremece...
- colocar em água quente
- arrancar as penas
- e a seguir descuartizar, limpar o sangue... 
- cozinhar as partes

Ao mesmo tempo que executava estas atrocidades, não estava consciente de meus atos, é incrível! Mas tenho que reconhecer que desde sempre uma voz falava em mim que isso era incorreto que eu estava sendo abusivo, violento.

Tive quer repetir este ato várias vezes até aceitar o quanto estava sendo bárbaro, selvagem, abusador...

O galo que antes me adorava começou a se defender de mim... as galinhas ao mesmo tempo que ficavam contentas porque eu lhes dava comida, já não ficavam mais próximas... elas sentiam: "enquanto eu lhes dava de comer, já ia escolhendo a próxima que iria morrer" 

A medida que fui matando, comecei a sentir com mais consciência a crueldade do ato. Me forcei a falar com as galinhas, a de alguma forma lhes explicar porque eu as matava... o dia em que decidia matar uma galinha já começava esquisito, diferente... eu virava puro instinto animal... conseguia sentir o medo, a tensão, o perigo... quando eu me aproximava ao galinheiro quem estava em mim era um assassino... um abusador... aí começava aquela luta, a galinha fugindo e eu cercando num espaço criado por mim, com armadilhas perfeitas, no fim eu a pegava e aí dava para sentir aquela tremedeira... aquele pânico e a certeza de que se aproximava o fim... as outras galinhas e o galo, juntos em outro canto com medo, fazendo aquele coral do espanto, observando atentas para fugir do monstro (eu)...

Tirei a galinha do galinheiro e a levei para o lugar onde sempre as matava... falei com a galinha: "galinha querida, assim é neste mundo, animal se alimenta de animal, eu te como, mas você come a lagartixa, o grilo... o leão come o viado... um dia os gusanos comem meu corpo. Me desculpa mas eu vou te matar e comer" Meu papo em nada alivio a galinha, mas a mim me deu forças para cometer o crime... 

Peguei com uma mão a cabeça dela com a outra o corpo, e quando fui mata-la, dessa vez não consegui e chorei sem parar...

Animal não é alimento, é meu igual, é meu irmão. Ele ao igual que eu adora viver, quer viver, ainda que ele sem saber mate para viver.

Que animais se alimentem de outros, não me dá o direito de matar quem não quer morrer e o pior quem não tem como se defender, isto é crueldade, cobardia, abuso de poder, crime. Mas, quando sei que "não comer carne é melhor para minha saúde"... afirmo isto porque estudo com profundidade vários tipos de alimentação e sei, identifico no meu corpo a bênção que é alimentação não carnívora. 

Logo que acordei do pesadelo de comer carne, passei vários dias pedindo perdão para o reino animal, e especialmente para todos os animais que matei, ou que fui cúmplice de suas mortes ao comer suas carnes perversamente embaladas para que ninguém perceba de onde vem...

Ainda profundamente convencido, não consegui adotar uma posição pública, para não estragar o prazer que muitos de meus amigos sentem ao comer carne, ou de participar do polêmico ritual do "churrasco", ou destruir a crença do poder da "canja" para fortificar e recuperar, ou desmistificar a importância do franguinho e da carninha para a criança ou de denunciar o quanto a comidinha da vovó e do papai e da mamãe está carregada de violência, primitivismo e selvajaria. 




Sei como estes costumes primitivos e selvagens conseguem emascarar sua violência e nos aprisionar em nossa ignorância dos desdobramentos energéticos do ato de matar contra a vontade, além dos impactos ambientais da criação bovina e da criação dos outros animais que alimentam o comercio da carne animal e os produtos derivados.

Sei que só agora a ciência demonstra a importância e completude da alimentação vegetariana... 

Sei que muitos pais e mães iludidos com as afirmações dos antigos nutricionistas não se atrevem a largar a carne e as químicas, que sem saber os estão condenando a eles mesmos e a seus filhos a ter que enfrentar doenças diversas...

eu mesmo vivi muitos anos com a cabeça feita...

Mas amado, amada, me permita lhe fazer uma pergunta cruel no intento sincero de te acordar, esta pergunta está dirigida para aqueles que já conseguiram amar ou amam um animal seja um gato, um cachorro, um cavalo, um passarinho:

Você conseguiria matar e comer seu cachorro, gato, passarinho amado? 




Passei vários meses nestas reflexões até um sonho que tive com minha filha Iaiá que me ajudou a decidir:

"papai o frango que você me dá para comer é o piu piu? você matou o piu piu?" Aí foi o topo da revelação. E me senti curado... Agora sim, não mato mais, nem como mais morto". 

Convido a meus amados e amadas a refletirem com máximo carinho e responsabilidade em este assunto para o bem de vocês, de seus familiares e do planeta.

Por trás do simples ato de comer carne, o castigo da crueldade de quem mata, violenta e cria animais para os matar, contra a vontade deles... o desmatamento sem limites em busca de pastos e terras para plantar alimento para alimentar os animais, e os diferentes danos que provoca comer mortos em decomposição ainda controlada.

Me desculpem os amados e amadas com meu depoimento mas sou obrigado a me confessar publicamente no intuito de aliviar a vocês deste mal costume que aprisiona tanto a nossa alma na negatividade...

te amo
Hector Othon

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