quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mor te-te Mor > amor

'por Hector Othon



o Sol (sábado) e Mercúrio (próxima quarta) se aproximam por quadratura minguante a Plutão, esta configuração planetária está levando a muitos de nós a refletir sobre a morte, a sentir a morte por perto, ao "alcance da mão".


meu pai, William e minha mãe, Odilia
que difícil é aceitar a morte de um amado, amada!!!

Nestes dias estive falando muito com meus pais (na foto), também com Wilson, o pai da Chris, com Nereida, minha mãe de santo cubana, com Carlos Ruiz de la Tejera e Vicente Revuelta, amigos cubanos, com Edith Siqueira, Maly Caran, Estelamare amadas amigas brasileiras, todos mortos.

Eu me permito falar e escutar quando um morto me visita ou eu sinto que me visita. No coração sinto a emoção de quem olha nos olhos ou abraça um amado, amada encarnado. Logo que acolho sua presença, me vem a imagem do rosto da pessoa. Com gratidão me permito a observar, a contemplar. Se ela conseguir se expressar, a escuto, a acolho até entender o que quer me comunicar e depois me solto e expresso tudo o que estou sentindo. Constantemente me relaciono com meus mortos, com vozes que invadem minha escuta como canto de passarinho, com as vozes de meus mestres e assessores espirituais, tudo o que chega a minha escuta seja do mundo terra, como da minha subjetividade é acolhido com gratidão.


Estelamare
Edith Siqueira (morta) e Elias Andreato (vivo) em cena
da peça Senhorita Julia de Strimberg
É para mim ainda muito difícil aceitar a morte de meus amados e amadas. Nestes dias tenho falado muito com minha amiga Estelamare que morreu recentemente no inicio de 2015. Ela era uma pessoa cheia de vida, um exemplo de vida, uma flor dançarina e de repente foi embora num acidente de moto... e assim também foi a nossa amada Maly Caran, que foi levada por uma enfermidade surgida do nada, que saudade infinita, infinita... 

Maly Caran, nossa mestra das ervas
Minhas conversas com meus mortos até agora são conduzidas pelo coração, assim não dou passagem a perguntas sobre como é do lado de lá e essas coisas... em algum momento farei... mas o que me importa no momento é só processar a emoção que me invade e pede passagem.

Meus amados e amadas mortos no plano físico continuam vivos em mim, especialmente no plano afetivo. 

Não sei se tudo isto é minha imaginação, mas para mim é real, presente e o melhor preenche a minha vida com cuidado mútuo, carinho, delicadezas... até hoje, dos mortos só recebi luz, amor, afeto. Sou grato a meus mortos e antepassados. "Flores para meus mortos", como falava minha mãe, "linda mamita de mi corazon". "Flores, orações, cantos, carinhos, amor para os mortos".

a qualquer momento podemos morrer

isso de que a morte a qualquer momento nos pode levar é uma verdade que nos faz acordar para a transcendência da vida no agora

Alguém sabe a estatística da quantidade de mortes por idade por dia? Muitos pensam que só vão a morrer quando forem anciãos, isso é o que todos desejaríamos, mas sinto lembrar:

É verdade absoluta: a qualquer momento podemos morrer.

Desde que tenho uns 10 anos já percebi que nos encontramos num mundo onde ninguém tem a informação do que fazemos aqui. Muitos de nós tem suas teorias, mas ninguém consegue provar para o outro, cada ponto de vista sobre o mistério da vida é totalmente pessoal que tem mais a ver com crença, fé, especulação que com o que tanto precisamos para conectar, a prova racional.

E assim estamos vivos no planeta Terra, vivendo como se tudo fosse absolutamente 
normal, podendo a qualquer momento morrer, e desaparecermos totalmente da memória do planeta... qualquer um de nós, depois de morto, é esquecido após quinhentos anos, amanhã.

Como é possível que desapareçamos e ao mesmo tempo, agora vivos, nos sentimos tão reais, tão presentes? Cada um de nós sabe o quanto é real sua vida, e ao mesmo tempo é muito emocionante saber que daqui a pouco todos vamos desaparecer para sempre, pelo menos, isso que chamamos de nós agora, nossa personalidade, nosso nome e historia!!!


Carlos Ruiz de la Tejera
Assim como minha amiga Estelamae, Edith Siqueira... meu amigo Carlos Ruiz de la Tejera... minha mãe, meu pai... agora todos mortos... 
a cada dia mais esquecidos, daqui a pouco totalmente esquecidos...
como já foram os tantos milhões de pessoas que viveram neste planeta...

Será que somos além de nosso nome, historia pessoal? E que só quando identificamos a nossa vida com a vida de nosso ego, personalidade é que vivemos a agonia do transitório?


quem morre primeiro?

Ninguém sabe quem vai morrer primeiro, ainda que a data da morte esteja decretada, seja por médicos, por justiceiros. Mas todos sabemos que um dia vamos morrer, pode demorar, mas um dia a morte vai chegar e do plano físico vai nos levar.

No youtube tem um vídeo em que uma pessoa pergunta ao Presidente Chaves: "quando Fidel Castro vai morrer?" (fazendo alusão a noticias de que Fidel estava vivendo uma crises de câncer...). Chaves respondeu com uma afirmação que depois se torno uma verdade: "Ninguém sabe o dia que a morte vai te levar, de repente você ou eu morremos antes dele". E assim foi com ele, naquele dia totalmente saudável e forte, logo depois derrubado pela mesma enfermidade que até agora não matou a Fidel, hoje com 89 anos, dando risadas das milhares, se não milhões pessoas que querem que ele morra desde os anos 70.

Conheço muitos condenados por enfermidades diversas que duraram muito mais que seus próximos aparentemente saudáveis. 

Tem outra história que mostra muito bem esta verdade: "...em uma ilha com centos de habitantes, tinha numa prisão um condenado a morte... na ilha teve um terremoto que matou a todos os presentes, menos a uma pessoa, o prisioneiro que estava condenado a morte, bizarro!

Estar doente ou condenado a morte, não é garantia de que se vai morrer antes ou depois de outra pessoa...

A morte se leva a qualquer um sem avisar. Seja qual for a situação de vida que se tenha, ela pode levar.

A questão não é quanto tempo temos para viver, mas se estamos vivendo agora?

Independentemente da sua situação de saúde, de animo, acorda para a vida...
a vida é o portal para todas as alternativas
até para a eternidade
vida em milagres
acordar
agora

agradecer, amar, alegrar

Nestes dias, reflexões profundas sobre o que queremos fazer da vida?

O que merece a pena se viver, sabendo que a qualquer momento podemos morrer?

Amado, amada
enfrenta o medo da morte
de tua morte, da morte dos teus
porque só assim vai acordar para o poder miraculoso da vida
A morte é nossa melhor conselheira
especialmente
quando ainda vivos, estamos mortos
chamando de vida, ao automatismo de sobrevivência do ego iludido e perdido em certezas

vida-morte
roda da impermanência
roda da dialética
morte-vida

que delicia sentir a vida
ainda com a morte na frente, na cola
por todo lado

o que é para eu fazer?

primeiro passo
parar
respirar
centrar
meditar

com amor e carinho
sentir o coração
contemplar a mente
perceber o corpo
até acalmar
e na verdade do ser e estar
nos manifestar
sabendo que neste mundo
a vida não dá para se explicar, perguntar, entender
só dá
para 
ser, estar
amar amar amar

tens o arbítrio de optar
decidir, escolher

O que é mesmo o melhor a se fazer?
não a noite, a amanhã, daqui a um ano, quando crescer
mas agora 
único momento em que temos a absoluta certeza de existir

amada amado
quem somos?
o que fazemos aqui?
será que temos algo para lembrar, e não sei porque razão esquecemos?

hoje tenho 59 anos, ontem tinha 16, assim passa com todos
acorda

atento

o que é para se fazer?

ser estar
amar, amar, amar

te amo
Hector Othon


Se a idade da Terra for tomada como um dia... a vida de qualquer um de nós é muito menos que um segundo... somos novidade na historia da Terra


“Se imaginássemos a história da Terra com os seus 4500 milhões de anos comprimidos num dia normal de 24 horas, a vida começaria muito cedo, por volta das quatro da madrugada, com o aparecimento dos primeiros organismos unicelulares simples, mas depois não avança muito durante as 16 horas seguintes. Só quase às 20h30, depois de terem passado cinco sextos do dia, é que o planeta tem alguma coisa concreta para mostrar ao Universo, uma fina camada de irrequietos micróbios.

Depois, finalmente, aparecem as primeiras plantas marinhas, seguidas, 20 minutos mais tarde, das primeiras alforrecas e da enigmática fauna ediacarana. Às 21h04 entram em cena os trilobites, seguidos dos simétricos seres de Burgess Shale. Pouco antes das 22h00, começam a surgir as plantas à superfície da Terra. Pouco tempo depois, a menos de duas horas do fim do dia, surgem os primeiros seres terrestres. Por volta das 22h24 a Terra está coberta de grandes florestas carboníferas e os dinossauros aparecem em cena, caminhando pesadamente, pouco antes das 23h00. Quando faltam 21 minutos para a meia-noite desaparecem e começa a era dos mamíferos. Os humanos surgem 17 segundos antes da meia-noite. Nesta escala, a totalidade da nossa existência registada não seria mais do que alguns segundos e a duração de uma única vida humana apenas um instante.”

Um comentário:

  1. lindo!
    lindo!

    vivemos nossa Liberdade, nossa União,
    nosso AmoR*

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